A internet não ensina um robô a dobrar uma toalha
Modelos de linguagem encontram na internet uma quantidade enorme de textos e imagens. Um robô que precisa agir em uma cozinha enfrenta outro problema. Ele precisa saber onde colocar os dedos, quanta força usar e como reagir quando um objeto escorrega.
Essas informações aparecem em demonstrações físicas. Quando uma pessoa executa uma tarefa diante de uma câmera, seu gesto pode ser convertido em exemplos que relacionam percepção e ação.
A coleta de dados virou uma plataforma
A Figure afirma que a Index recebeu mais de 16 milhões de vídeos em seus primeiros quatro meses e pagou US$ 15 milhões aos participantes. Pessoas podem gravar rotinas ou realizar tarefas solicitadas.
O dado físico passa a ter um mercado. A contribuição humana deixa de ser apenas operar uma máquina e passa a incluir ensinar, por demonstração, o repertório que ela ainda não possui.
Quem participa do valor criado?
A oportunidade imediata é uma nova forma de renda. A questão de longo prazo é que uma tarefa registrada hoje pode ajudar um robô a executar amanhã o trabalho que gerou aquele dado.
Isso exige perguntas sobre consentimento, remuneração, direitos de uso e participação no valor produzido. A economia dessa transição ainda está sendo desenhada.