O robô não é o funcionário

Em Tóquio, visitei um café em que robôs recebem clientes, conversam e circulam entre as mesas. A primeira impressão pode sugerir automação. A realidade é mais interessante: aqueles robôs não são atendentes autônomos movidos por inteligência artificial.

Eles são operados por pessoas, chamadas de pilotos, que trabalham remotamente. Algumas têm condições de saúde ou limitações físicas que tornam difícil sair de casa. Há pilotos que operam a partir de suas residências e até de hospitais.

A voz, a atenção e a conversa continuam sendo humanas. O robô funciona como um corpo à distância.

A inovação está no desenho do trabalho

O aspecto mais importante do Dawn Avatar Robot Café não é a aparência da máquina. É a decisão de perguntar como uma função presencial poderia ser redesenhada para incluir pessoas que antes ficavam de fora.

O trabalho remoto tradicional resolve atividades que cabem em um computador. Um robô de telepresença amplia essa lógica: permite que alguém interaja com pessoas e objetos em outro ambiente, sem precisar estar fisicamente nele.

Isso separa três elementos que costumávamos tratar como inseparáveis: a capacidade de trabalhar, a presença física e o local onde o trabalho acontece.

Tecnologia também pode ampliar a presença humana

Grande parte da discussão sobre robótica pergunta quais empregos serão substituídos. O café apresenta outra possibilidade: tecnologias também podem criar formas de participação que antes não existiam.

Isso não significa que todo trabalho possa ser convertido em telepresença ou que a tecnologia resolva sozinha as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência e doenças. Significa que o desenho de uma função pode ser revisto quando deixamos de considerar a presença física como requisito automático.

Nesse caso, a máquina não retira o humano da experiência. Ela permite que o humano esteja presente de outra forma.

A pergunta para as empresas

Quando uma empresa encontra dificuldade para contratar ou incluir determinados talentos, a primeira reação costuma ser procurar pessoas que se adaptem ao processo existente. A tecnologia permite inverter a pergunta: como o processo poderia se adaptar às pessoas?

Nem sempre a resposta será um robô. Pode ser uma interface diferente, uma nova divisão de tarefas, trabalho assíncrono ou uma forma alternativa de presença.

A pergunta que trouxe de Tóquio foi simples: que trabalho sua empresa poderia redesenhar com tecnologia para incluir talentos que hoje não conseguem participar?

FONTES E CONTEXTO

Para continuar verificando.

  1. Dawn Avatar Robot Café, site oficial
  2. OryLab: como funcionam os robôs OriHime e OriHime-D